sábado, 27 de junho de 2026

O grito da periferia candanga - Barbarella B e o Manifesto Modo B

 Barbarella B e o Manifesto Modo B

O grito da periferia candanga

Se Brasília já foi vendida como “capital do rock”, Ceilândia e suas satélites sempre viveram outra história — menos plástica, mais visceral. O Manifesto Modo B surge como um grito coletivo contra a caretice do pop/rock brasiliense embalado para presente. É a afirmação de que a periferia pulsa, cria e resiste. Fanzines, bares cheios (ou nem tanto), riffs distorcidos e letras que falam da vida real: esse é o DNA de um movimento que não aceita ser reduzido a produto nostálgico dos anos 80.

A banda

É nesse caldo cultural que nasce, em 1996, a Barbarella B. Formada por músicos de Ceilândia, a banda é a tradução sonora do manifesto: rock alternativo dançante, garage psicodélico, samba-rock distorcido e soul setentista. Uma mistura que não pede licença, mas ocupa espaço. Suas letras são crônicas urbanas — falam do folclore candango, da chacina de trabalhadores na construção de Brasília, da truculência policial, das lendas urbanas que moldam a identidade periférica. É música que não foge do conflito, mas o transforma em groove.


Discografia e trajetória

Uma fita demo e três EPs independentes.

Participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), ao lado de onze bandas de todo o país.

Presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Modo B e até o Festival de Música das Escolas Públicas de Ceilândia.

Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade.


Sonoridade

Imagine os Kinks e os Small Faces atravessando o Eixo Monumental e encontrando o samba-rock dos anos 70. Adicione psicodelia, riffs viajantes e refrões poderosos. O resultado é um powerpop candango, urbano e sincero. Barbarella B não copia — reinventa.


Integrantes

Robson Gomes – guitarra e vocal

Sérgio Passos – guitarra e órgão

Robson Freitas – bateria e percussão

Ulisses França – guitarra, baixo e violão

Thomé de Souza - baixo e vocal


Por que importa

Enquanto o mainstream insiste em fabricar “novos Legiões” e “novos Capitais”, Barbarella B e o Modo B lembram que a verdadeira rebeldia não vem do Plano Piloto, mas das satélites. É a periferia que mantém vivo o espírito contestador do rock, com autenticidade e suor.

Se a Rolling Stone tivesse que apontar um símbolo da resistência cultural brasiliense, seria aqui: no som ácido e dançante da Barbarella B, e no manifesto que insiste em dizer que o rock não é só nostalgia — é presente, é luta, é identidade.


Nenhum comentário: