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quarta-feira, 8 de abril de 2026
terça-feira, 7 de abril de 2026
BANDA ROSA DOS VENTOS
ROSA DOS VENTOS
A banda Rosa dos Ventos foi um grupo de pós-punk de Brasília, formado em 2002 com integrantes experientes da cena local (ex-Psycho Shadows e Pompas Fúnebres). Conhecida pelo som introspectivo e experimental, tocou no Bar Aldeia em Taguatinga e apareceu na coletânea "De Profundis - Versão Brasileira".
O grupo consolidou-se em 2002 com Renata Carvalho(vocal, ex-Wolves Cavern, X-Five), Moisés Paiva (baixo, ex-Psycho Shadows) e Ney Correa (bateria, ex-Pompas Fúnebres) e Maurício Andrade (guitarra) adotando o nome Rosa dos Ventos. Estilo fortemente influenciado pelo pós-punk, com sonoridade introspectiva e experimental. Apresentaram-se em fevereiro de 2002 no Bar Aldeia, em Taguatinga, ao lado de bandas de shoegaze como Mentes Póstumas e Stone Fish. A banda participou da coletânea "De Profundis - Versão Brasileira" com a faixa "Canção Noturna".
Rosa Dos Ventos - Vozes 2005 | Full | Gothic Rock
Há algo de profundamente brasiliense, ao mesmo tempo, universal na trajetória da Rosa dos Ventos — como se o concreto seco do Planalto Central reverberasse em ecos sombrios de baixo pulsante e guitarras etéreas. Formada em 2002, em Brasília, a banda surge não como um projeto incipiente, mas como um encontro quase inevitável de músicos já calejados pela cena alternativa local. Vindos de grupos como Psycho Shadows e Pompas Fúnebres, seus integrantes traziam na bagagem uma vivência que se traduziria em um som maduro, introspectivo e inquieto.
A formação que consolidou a identidade do grupo reunia Renata Carvalho nos vocais — dona de uma interpretação ao mesmo tempo delicada e espectral, Moisés Paiva no baixo, cujo passado no Psycho Shadows se fazia sentir nas linhas densas e melancólicas, Ney Correa na bateria, com sua precisão quase ritualística herdada do Pompas Fúnebres, e Maurício Andrade na guitarra, responsável por texturas que oscilavam entre o minimalismo e a dissonância atmosférica. Juntos, adotaram o nome Rosa dos Ventos — sugestivo, quase cartográfico, como se buscassem orientar o ouvinte em meio a paisagens emocionais nebulosas.
"Canção Noturna"
Musicalmente, a banda mergulhava fundo nas raízes do pós-punk, mas evitava qualquer tipo de pastiche. Em vez disso, construía uma linguagem própria: canções que pareciam se expandir e retrair, guiadas por baixos hipnóticos, guitarras que ora cortavam como lâminas, ora se dissolviam em ambiência, e uma voz que carregava um senso de distância emocional típico do gênero — mas com uma sensibilidade muito particular, quase íntima. Era um som que dialogava tanto com a tradição quanto com a necessidade de experimentação, algo que sempre marcou a cena alternativa de Brasília.
E é impossível falar da Rosa dos Ventos sem situá-la nesse ecossistema específico. Brasília, desde os anos 1980, carrega uma herança pós-punk singular no Brasil — uma estética que mistura isolamento geográfico, arquitetura brutalista e uma juventude criativamente inquieta. Nesse contexto, a apresentação da banda em fevereiro de 2002 no Bar Aldeia, em Taguatinga, ganha contornos quase míticos. Dividindo palco com nomes do shoegaze local como Mentes Póstumas e Stone Fish, a Rosa dos Ventos mostrava ali sua capacidade de transitar entre cenas irmãs, mantendo sua identidade sombria enquanto dialogava com camadas mais etéreas e ruidosas.
O registro mais palpável dessa fase talvez seja sua participação na coletânea De Profundis - Versão Brasileira, onde contribuíram com a faixa “Canção Noturna”. A música encapsula bem o espírito do grupo: uma construção lenta, carregada de tensão, onde cada elemento parece ecoar no vazio — como se fosse gravada não apenas em estúdio, mas também nos espaços silenciosos da própria cidade.
Agora, mais de duas décadas depois, a Rosa dos Ventos ressurge — não como um revival nostálgico, mas como um gesto de continuidade. Com Renata Carvalho ainda à frente, a nova formação traz Robson Gomes (ex-Lupercais) na guitarra e teclados, Alexandre Santos na guitarra e Alysson Barbosa no baixo, substituindo Moisés Paiva e Maurício Andrade. A ausência de figuras-chave da formação original não soa como ruptura, mas como transformação — algo coerente com a própria natureza do pós-punk.
O projeto de resgate previsto para 2026 carrega, portanto, um peso simbólico: não apenas revisitar o passado, mas reafirmar um legado que nunca deixou de existir por completo. Porque, no fim das contas, a Rosa dos Ventos sempre foi menos sobre um momento específico e mais sobre uma atmosfera — um estado de espírito que continua a soprar, discreto e persistente, pelas frestas da cena alternativa de Brasília.
Há algo de profundamente brasiliense — quase geográfico, quase existencial — na trajetória da Rosa dos Ventos. Como se o concreto silencioso do Planalto Central ecoasse em frequências graves e guitarras enevoadas, a banda, formada em 2002, nunca soou como um acidente: era um ponto de convergência. Um encontro inevitável entre músicos já marcados pela cena underground local, vindos de projetos como Psycho Shadows e Pompas Fúnebres, e unidos por uma mesma pulsão estética — transformar introspecção em som.
"Insanos"
A formação clássica reunia Renata Carvalho (vocais), Moisés Paiva (baixo), Ney Correa (bateria) e Maurício Andrade (guitarra). Juntos, deram forma a uma identidade que, embora ancorada no pós-punk, evitava o lugar-comum revivalista. O que emergia era algo mais orgânico, quase topográfico: linhas de baixo densas e repetitivas, guitarras que alternavam entre o corte seco e a suspensão atmosférica, e uma voz que parecia sempre à beira do sussurro ou do colapso emocional. Era música feita não apenas para ser ouvida, mas habitada.
Se a apresentação no Bar Aldeia, em Taguatinga, em fevereiro de 2002 — ao lado de nomes como Mentes Póstumas e Stone Fish — marcou a inserção da banda em uma cena que dialogava entre o pós-punk e o shoegaze, foi no EP Vozes, gravado no Estúdio Vozes, também em Taguatinga, que a Rosa dos Ventos realmente se cristalizou como entidade artística. Mais do que um registro, o EP funciona como um mapa emocional da banda — uma cartografia sonora onde cada faixa ocupa um papel essencial.
“Canção Noturna”, talvez a mais conhecida por sua inclusão na coletânea De Profundis - Versão Brasileira, surge aqui em sua forma mais crua e definitiva. É o eixo do EP: uma faixa que sintetiza o ethos da banda, com seu andamento cadenciado, clima denso e uma sensação constante de deslocamento. É noite não apenas como tema, mas como estado permanente.
Mas o EP se expande muito além desse núcleo. “Dança dos Invencíveis” introduz uma tensão quase paradoxal — há movimento, mas é um movimento contido, como se a própria ideia de “invencibilidade” fosse irônica, desmoronando a cada compasso. Já “Das les Jardins” (com sua grafia híbrida e sugestiva) aponta para um lado mais experimental e etéreo, onde a banda parece brincar com espacialidade e linguagem, criando uma faixa que soa tanto estrangeira quanto profundamente local.
"Olhos"
“Insanos” e “Mentiras” formam um díptico particularmente incisivo. A primeira mergulha em uma urgência quase claustrofóbica, enquanto a segunda desacelera para expor fissuras emocionais com uma frieza cortante. São canções que revelam a habilidade da banda em trabalhar extremos sem perder coesão — intensidade e contenção coexistindo em equilíbrio instável.
“Olhos” oferece um raro momento de aparente clareza, ainda que carregado de ambiguidade. Há algo de observacional na faixa, como se o eu lírico estivesse simultaneamente dentro e fora da própria experiência. Em contraste, “Repulsa” retoma a densidade mais abrasiva, com guitarras que parecem se arrastar e colidir, evocando um desconforto quase físico.
"Repulsa"
E então há “Vozes”, a faixa-título — não apenas um encerramento, mas uma espécie de síntese conceitual. Aqui, a banda condensa todos os elementos que permeiam o EP: a introspecção, a experimentação, a sensação de eco urbano. É como se essas “vozes” não fossem apenas internas, mas também ecos da própria cidade — fragmentos de uma Brasília subterrânea, invisível à superfície monumental.
Esse EP, embora discreto em sua circulação, carrega um peso significativo dentro da narrativa da banda e da cena local. Ele não apenas documenta um momento, mas estabelece um vocabulário — um conjunto de referências que ecoariam, direta ou indiretamente, em outros projetos da cidade.
Hoje, com o anúncio de um resgate em 2026, a Rosa dos Ventos retorna com uma nova formação: além de Renata Carvalho, agora contam com Robson Gomes (ex-Lupercais) na guitarra e teclados, Alexandre Santos na guitarra e Alysson Barbosa no baixo. A ausência de Moisés Paiva e Maurício Andrade não representa ruptura, mas transformação — uma continuidade natural para uma banda que sempre operou nas margens do tempo e da forma.
"Vozes"
Revisitar Vozes neste contexto não é apenas um exercício de memória. É reconhecer que aquelas canções — “Canção Noturna”, “Dança dos Invencíveis”, “Das les Jardins”, “Insanos”, “Mentiras”, “Olhos”, “Repulsa” e “Vozes” — não pertencem exclusivamente ao passado. Elas ainda ressoam, como frequências baixas que nunca cessam completamente, moldando o presente e apontando direções futuras. Afinal, como toda boa rosa dos ventos, a banda continua a indicar caminhos — mesmo quando tudo ao redor parece imóvel.
Rosa dos Ventos: Pós-punk candango em estado puro
Poucas bandas conseguiram traduzir tão bem o espírito inquieto e sombrio do pós-punk em Brasília quanto a Rosa dos Ventos. Formada em 2002, o grupo nasceu da confluência de músicos já calejados na cena alternativa da capital — Renata Carvalho (vocal), Moisés Paiva (baixo, ex-Psycho Shadows), Ney Correa (bateria, ex-Pompas Fúnebres) e Maurício Andrade (guitarra). A escolha do nome não foi casual: Rosa dos Ventos evocava tanto a busca por direções quanto a sensação de deslocamento existencial que permeava sua música.
🎸 Estilo e sonoridade
Influência direta do pós-punk britânico: ecos de Joy Division e Bauhaus, mas filtrados pela atmosfera brasiliense.
Introspecção e experimentação: linhas de baixo densas, guitarras angulares e vocais etéreos de Renata criavam um clima de desolação urbana.
Estética minimalista: arranjos secos e diretos, sem concessões ao mainstream, reforçando a aura underground.
🏙️ Cena local
Brasília, com sua arquitetura monumental e espaços vazios, sempre foi fértil para o pós-punk. A Rosa dos Ventos encontrou no Bar Aldeia, em Taguatinga, um palco simbólico: em fevereiro de 2002 dividiram a noite com bandas de shoegaze como Mentes Póstumas e Stone Fish, criando um diálogo entre o peso introspectivo e a densidade atmosférica. Esse show é lembrado como um marco da cena alternativa candanga do início dos anos 2000.
📀 Registro e legado
A banda deixou sua marca na coletânea "De Profundis – Versão Brasileira", com a faixa "Canção Noturna", um tema que sintetiza sua estética: melancolia, experimentação e lirismo sombrio. Embora sua trajetória tenha sido breve, Rosa dos Ventos permanece como um nome cult, reverenciado por quem acompanhou a efervescência da cena pós-punk brasiliense.
✨ Por que importa
Rosa dos Ventos não foi apenas mais uma banda de Brasília. Foi um espelho da cidade: introspectiva, experimental e marcada por um certo vazio existencial que dialogava com os espaços amplos e frios da capital. Para fãs de pós-punk, é um daqueles grupos que, mesmo com poucos registros, deixam uma impressão duradoura — um segredo compartilhado entre iniciados, digno de figurar nas páginas de uma revista como a MOJO.
Se tivesse continuado, talvez tivesse se tornado um dos pilares da cena alternativa nacional. Mas parte de seu encanto está justamente nesse caráter efêmero, como um vento que sopra forte e desaparece, deixando apenas ecos.
RENATA CARVALHO - VOCAL
NEIVALDO CORRÊA - BATERIA
ROBSON GOMES - GUITARRA E TECLADO
ALEXANDRE SANTOS - GUITARRA E VIOLÃO
ALYSSON BARBOSA - CONTRABAIXO


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