RADAR SATÉLITE
um novo olhar sobre o outro um outro olhar sobre o novo
segunda-feira, 18 de maio de 2026
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sexta-feira, 15 de maio de 2026
quinta-feira, 14 de maio de 2026
Barbarella B e o Manifesto Modo B
Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga
Brasília, tantas vezes vendida como “capital do rock”, carrega em sua memória coletiva o peso dos anos 80 e a aura nostálgica de bandas que se tornaram símbolos nacionais. Mas enquanto o Plano Piloto se orgulhava de sua estética modernista e de sua rebeldia domesticada, Ceilândia e suas satélites viviam outra história — menos plástica, mais visceral. Foi ali, nas margens, que nasceu em 1996 a Barbarella B, e é dali que se ergue o Manifesto Modo B, um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra o empacotamento da rebeldia em moldes prontos para consumo.
A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.
Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.
A trajetória da banda é marcada pela independência e pela militância cultural. Uma fita demo, três EPs, participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B, Carnarock e tantos outros. Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade autoral. Mais do que ocupar palcos, a Barbarella B produz e organiza eventos, incentivando outras bandas independentes a se apresentarem e a fortalecerem a cena. É uma postura que vai além da música: é compromisso com a coletividade, é resistência contra a lógica que reduz a arte periférica a produto secundário.
O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa história. Nas ruínas do lendário Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. É a afirmação de que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor. Enquanto muitas bandas buscam ser o “novo Legião” ou o “novo Capital”, a Barbarella B reafirma que não há necessidade de suceder ninguém: há necessidade de existir, de criar, de incendiar consciências.
No festival Rock Periférico, na Casa do Cantador, a Barbarella B mostrou por que é uma das bandas mais autênticas da cena. Com suor, intensidade e teatralidade, levou Ceilândia a um transe urbano. Cada acorde foi manifesto, cada riff foi resistência. O público respondeu com entusiasmo, transformando o show em grito coletivo. Não era apenas música: era identidade, era arte que nasce da periferia e se recusa a ser reduzida a produto nostálgico.
Em sua formação atual — Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal) — a Barbarella B segue incendiando palcos e consciências. Sua música é dança e reflexão, catarse e crítica, festa e denúncia. É a prova viva de que Ceilândia não é apenas cidade-dormitório, mas metrópole criativa, moderna e diversa, capaz de reinventar o rock brasileiro a partir de suas margens.
A Barbarella B é, em essência, um manifesto sonoro. É o grito da periferia candanga, que insiste em dizer que o novo olhar sobre o outro e o outro olhar sobre o novo só podem nascer onde a vida pulsa sem maquiagem. E é nesse pulsar que a banda se torna vanguarda — não por estar à frente de seu tempo, mas por estar profundamente enraizada em seu presente.
Brasília pode ter sido vendida como “capital do rock”, mas a sua periferia sempre escreveu outra narrativa — menos plástica, mais visceral, mais verdadeira. Enquanto o Plano Piloto se embalava em rebeldias domesticadas e em ícones dos anos 80 transformados em produto nostálgico, Ceilândia e suas satélites pulsavam em outra frequência: fanzines xerocados, bares improvisados, riffs distorcidos e letras que falavam da vida real. É nesse terreno fértil que nasce, em 1996, a Barbarella B, e é desse mesmo terreno que brota o Manifesto Modo B: um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra a falsa rebeldia que se acomoda em moldes prontos.
A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.
Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.
terça-feira, 12 de maio de 2026
SÓ OASIS NO ESPAÇO CULT
“Só Oasis no Espaço Cult:
Britpop sob o céu de Brasília”
Há noites em que Brasília parece respirar diferente — o concreto pulsa, o vento sopra com sotaque inglês, e o som das guitarras ecoa como um manifesto urbano. No dia 22 de maio, o Espaço Cult / Contra Urbano Liberta se tornará o epicentro dessa vibração, quando a banda Só Oasis subir ao palco para celebrar o rock britânico com a intensidade de quem entende que música é memória, é resistência, é alma.
O Espaço Cult, esse refúgio de arte e cerveja artesanal na Asa Norte, é mais do que um bar: é um território de liberdade. Um lugar onde o som independente encontra abrigo e onde cada acorde parece desafiar o silêncio burocrático da cidade. Ali, entre luzes baixas e copos tilintando, o público será convidado a mergulhar em duas horas de britpop visceral, revisitando os hinos e os lados B da banda que redefiniu o rock dos anos 90 — o Oasis.
A Só Oasis não é uma banda cover. É um tributo vivo, pulsante, que transforma nostalgia em catarse. Ricardo Lacerda (vocal e guitarra), Luis Conde (baixo e vocal), Renato Rhugas (bateria) e Robson Gomes (guitarra e vocal) não imitam — interpretam. Cada nota é carregada de sinceridade, cada refrão é um convite à lembrança. O público, entre fãs antigos e curiosos recém-convertidos, se vê tomado por uma energia que mistura fúria e ternura, como se os irmãos Gallagher tivessem deixado um pedaço de Manchester em cada esquina da capital brasileira.
Mais do que um show, é um ritual urbano. A Só Oasis faz o tempo dobrar: os anos 90 se encontram com o presente, e o britpop ganha sotaque candango. As canções, cheias de emoção e atitude, atravessam gerações e despertam algo que vai além da música — um sentimento de pertencimento, de resistência, de liberdade.
No Espaço Cult, onde arte e contracultura se misturam, o rock volta a ser o que sempre foi: um grito. E nesse grito, Brasília se reconhece — rebelde, poética, viva.