Barbarella B: 30 Anos de Resistência e Groove no Coração do DF
Enquanto o rótulo de "Capital do Rock" muitas vezes se perde em uma nostalgia de plástico, revivendo fórmulas dos anos 80 para alimentar o mercado do Plano Piloto, a verdadeira pulsação artística do Distrito Federal resiste nas margens. Em 2026, celebramos três décadas de uma trajetória que desafia a lógica das "cidades-dormitório": a banda Barbarella B completa 30 anos como a voz urbana e sincera de quem habita o fluxo entre o centro e a periferia.
O Rock que Dança e Contesta
Longe da "rebeldia enlatada", a Barbarella B — que iniciou como power trio e hoje se consolida como quarteto — construiu uma sonoridade única. É a legítima mistura do rock de garagem sessentista com o soul e o samba-rock setentista. O resultado? Um rock alternativo dançante, onde riffs de guitarra psicodélicos e grooves pesados servem de base para letras que são verdadeiras crônicas da identidade candanga.
Nesses 30 anos, a banda transformou o folclore brasiliense e suas feridas históricas em arte. Suas canções mergulham fundo na memória do DF, tratando de temas como a truculência da GEB, o caso Mário Eugênio e a origem das satélites, fugindo da superficialidade das paradas de sucesso para criar um modelo de conduta moral e resistência cultural.
Uma Antologia Urbana: Da Ceilândia ao Porão Lunar
A discografia da Barbarella B é um mapa afetivo da nossa região. Ao longo de sua jornada, o grupo nos presenteou com hinos que extrapolam o gênero:
Crônicas do Cotidiano: Em canções como Incansável morador de Ceilândia, The book is on the table e Casa dos Loucos, a banda dá voz ao indivíduo que orbita o poder, mas constrói sua própria cultura.
Groove e Psicodelia: A acidez de Garota Esquema noise, o balanço de Cricket Carioca Sapecou o salão e o magnetismo de Patchouli mostram a versatilidade de quem bebe da fonte de Kinks e Small Faces, mas mantém os pés no barro do cerrado.
Sentimento e Existencialismo: Faixas como O tempo, Porão Lunar, A rainha das garotas, Cinderella bateu as botas e a reflexiva As vezes tudo tanto faz consolidam o grupo como mestres do powerpop autoral.
Três Décadas de Estrada
Desde o Festival Ferrock em 1999 até o recente CarnaRock em 2024, passando por marcos como o Festival Cult 22 e o Despertar Cultural, a Barbarella B nunca se limitou aos palcos óbvios. Presente em coletâneas nacionais como a Amp.Sônica (2000), a banda provou que o rock feito no DF tem fôlego para dialogar com todo o país sem perder sua essência local.
Barbarella B é a prova viva de que a arte fortalece o espírito crítico e subverte a exclusão. Não é apenas uma banda; é o som da interação social que transforma cidades-satélites em polos de efervescência criativa. Que venham mais décadas de distorção, samba-rock e honestidade! 🎸✨
Barbarella B e o Manifesto Módulo B: a contracultura candanga em estado bruto
Se Brasília já foi vendida como “capital do rock”, Ceilândia e suas satélites sempre viveram outra história — menos plástica, mais visceral. O Manifesto Módulo B surge como um grito coletivo contra a caretice do pop/rock brasiliense embalado para presente. É a afirmação de que a periferia pulsa, cria e resiste. Fanzines, bares cheios (ou nem tanto), riffs distorcidos e letras que falam da vida real: esse é o DNA de um movimento que não aceita ser reduzido a produto nostálgico dos anos 80.
É nesse caldo cultural que nasce, em 1996, a Barbarella B. Formada por músicos de Ceilândia, a banda é a tradução sonora do manifesto: rock alternativo dançante, garage psicodélico, samba-rock distorcido e soul setentista. Uma mistura que não pede licença, mas ocupa espaço. Suas letras são crônicas urbanas — falam do folclore candango, da chacina de trabalhadores na construção de Brasília, da truculência policial, das lendas urbanas que moldam a identidade periférica. É música que não foge do conflito, mas o transforma em groove.
🔥 Discografia e trajetória
Uma fita demo e três EPs independentes.
Participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), ao lado de onze bandas de todo o país.
Presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B e até o Festival de Música das Escolas Públicas de Ceilândia.
Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade.
🎶 Sonoridade
Imagine os Kinks e os Small Faces atravessando o Eixo Monumental e encontrando o samba-rock dos anos 70. Adicione psicodelia, riffs viajantes e refrões poderosos. O resultado é um powerpop candango, urbano e sincero. Barbarella B não copia — reinventa.
Integrantes
Robson Gomes – guitarra e vocal
Sérgio Passos – guitarra e órgão
Robson Freitas – bateria e percussão
Ulisses França – guitarra, baixo e violão
Thomé de Souza – baixo e vocal
Enquanto o mainstream insiste em fabricar “novos Legiões” e “novos Capitais”, Barbarella B e o Módulo B lembram que a verdadeira rebeldia não vem do Plano Piloto, mas das satélites. É a periferia que mantém vivo o espírito contestador do rock, com autenticidade e suor.
Se a Rolling Stone tivesse que apontar um símbolo da resistência cultural brasiliense, seria aqui: no som ácido e dançante da Barbarella B, e no manifesto que insiste em dizer que o rock não é só nostalgia — é presente, é luta, é identidade.
Enquanto o mainstream insiste em fabricar “novos ícones”, Barbarella B e o Modo B lembram que a verdadeira rebeldia não vem do Plano Piloto, mas das satélites. É a periferia que mantém vivo o espírito contestador do rock, com autenticidade e resistência.
Se a Rolling Stone tivesse que apontar um símbolo da resistência cultural brasiliense, seria aqui: no som ácido e dançante da Barbarella B, e no manifesto que insiste em dizer que o rock não é só nostalgia — é presente, é luta, é identidade.
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